"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dias em que se comemora qualquer bom fato da vida, traz consigo a esperança da perpetuação dos bons momentos, das boas lembranças, dos belos sorrisos, dos  prolongados suspiros. Traz consigo os dias de sol, o aroma das noites de verão, o sabor doce da vida. 

Comemora-se hoje o início concreto de uma nova era. Era essa que não se mensurará apenas pelo contar dos dias, das horas, ... serão contabilizados, também, os segundos que não passam, o inebriar do olhar que congela a cena e aquece o coração, as manhãs que se iniciam cantarolantes...

Espera-se assim que a comemoração nunca acabe. Porque ao comemorar, a minha alma celebra a volta à vida. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sentiu-se presa. Sufocada. Parecia que havia cortado parte de suas asas, e assim ficava muito difícil voar. Não era justo. São tantos jardins, tão belos... desta maneira é praticamente  impossível apreciá-los. A vista lá de cima é tão melhor. Não quer dizer que sobrevoar longos caminhos, a fizesse esquecer o caminho de volta para o ninho.

Lá de cima da árvore olhava tudo a sua volta. O vento batia em seu corpo como quem chamasse de volta ao movimento da vida. Mas não adiantava. Não podia voar. Até apreciava o girar de outros pássaros... mas tudo parecia muito distante. 


De repente uma das flores que ficava próxima ao seu ninho tocou seu corpo, ao se balançar com o vento. Ela exalava um perfume inconfundível, e que a tranquilizou. Nesse momento ela parou e entendeu que ainda era cedo para voar. Mas que a hora que isso acontecesse, seria muito melhor do que desejou.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estava dentro daquele barco. As ondas eram tranquilas. Havia alguns barcos em volta, que seguiam o seu. Sabia que o vento iria tocar para o rumo certo. 

Faltando pouco para chegar na praia, olhou para trás e percebeu que os barcos não seguiam mais o seu. Ela via a praia, estava maravilhada com tamanha beleza e paz, que vinham dela. O clima era agradável... o som também. Parecia ser o lugar ideal... que estava procurando.

Então ela olhou para trás novamente, para garantir se não havia mais nenhum barco que a seguisse. "Talvez eles tivessem achado outra rota. Aportado em alguma ilha... procurado seu próprio caminho..." Deixar de ser seguida pelos outros barcos não tirou a felicidade de ter encontrado a ilha. Mas lá no fundo ela sentia ... algo pequeno, como um leve saudosismo de alguma férias de verão... Era estranho. Era bom ser seguida. Fazia com que ela se sentisse bem. Segura de guiar o caminho... mas isso já não acontecia mais.

Suspirou. Percebeu que talvez essa ilha só fosse boa para o que estava procurando, e talvez nem quisesse dividir o que havia nela. Talvez os outros barcos não quisessem aportar ali... as águas poderiam ser quentes demais, diferentemente do que eles se interessariam... E assim, se deu conta de aquela rota era só sua. Finalmente havia achado o "X" do mapa.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tem sido muito importante escrever. Nem sempre expresso aquilo que sinto, mas talvez aquilo que sentem. Sentir... adoro sentir. Obviamente que quanto melhor o sentimento, melhor o sentir, mas me dói mais, perceber que os dias passam sem vida, sem cor, nem com o cinza da tristeza.

A fase é boa. Fase nova. De crescimento pessoal, de entendimento pessoal, de luta para ser melhor, maior, ou simplesmente diferente. Ser diferente faz com que você não queira nivelar-se, padronizar-se. O padrão é chato. Não estou dizendo para radicalizar, pois o radical é tão chato quanto o padrão. A questão é ser você. E somos diferentes.. é isso que nos torna interessantes. 

Aprendizado: resume tudo. Gosto de aprender. Sempre gostei. Às vezes se torna um defeito, pois espero aprender muito de coisas variadas, e acabo caindo na superficialidade de alguns temas. De qualquer maneira, isso me fascina. 

Espero que os novos aprendizados gerem bons frutos. Gerem maturidade e consciência... não tenho querido muito mais que isso. O resto há de vir com o tempo...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Havia uma luz acesa nos fundos da casa. Ela mostrava que tinha alguém ali. Era como um aviso: "não se aproxime, estamos aqui dentro". Dentro dela não havia ninguém. Aliás, ninguém com quem pudesse conversar, contar como foi o dia, ou até mesmo brigar por motivo fútil na hora do jantar. Era alguém que estava ali, mas não estava lá. 

Do lado de fora ouvia-se o cricrilar das cigarras e o barulho da brisa que batia nas folhas das árvores. Tinha um certo medo. Mas a vontade de ficar só, superava qualquer pensamento de impotência diante do mal. A palavra de ordem era: "não pensar". E nesse : "não pense, não pense, é pior", ficou uma noite inteira. Estava sob as cobertas. Olhava pro teto. Não queria ligar a TV. Não queria barulho. Ouvia alto seu pensamento dizer: "o que se faz agora?". Mas não tinha forças. Não queria. Não queria imaginar a batalha que travaria em nome de qualquer coisa que fosse. Já se sentia na guerra. Só. Mas no campo de batalhas. 

Virou-se de lado e avistou  a janela da casa vizinha. Acesa. Nela enxergava pessoas rindo, felizes. Por segundos se imaginou assim. Mas não conseguiu conviver muitos instantes com aquilo. Preferia que os raios do sol resolvessem seus problemas ao amanhecer... e torcia para que mais uma noite demorasse a chegar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ela tem dormido diferente. Tem acordado diferente. O céu não anda lá tão azul e nem as estrelas tem aparecido. Mesmo assim, ela tem percebido os dias, e as noites de forma diferente. Estranha e positivamente diferente. Nem os ventos das tempestades têm esfriado seu coração. Sente-se como acolhida em nuvens. 

Também não podia ser diferente. Ela resolveu lutar por algo que não tinha certeza se valia mais a pena. Lutar por ela. Sim! Por ela! Por que não? Com todos os intemperes da vida esqueceu-se de lutar por si mesma. Preocupou mais com a felicidade daqueles que a cercava, que com sua própria. 

Não tem problema. Isso também já não importa mais. Resolveu viver o presente. O passado, como se diz é um livro acabado. O máximo que pode-se fazer é dar uma olhada para relembrar o que nele fora escrito. E o futuro... ah.... o futuro... Não pertence à ela. Ela não manda em nada - já percebeu isso também. Assim, resolveu aproveitar o intervalo, entre passado e futuro. 

Ela não promete. Promessas podem ser desfeitas ao sopro. Ela não ilude. Ela vive. Ela sente. E isso basta...