"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A partilha é algo fundamental na vida de qualquer ser humano... principalmente nos que foram tomados por um súbito sentimento denominado: amor.

Partilhar significa dividir, mas sem "ratear", é algo maior, como um compartilhamento de ações, sensações, emoções. Partilhar momentos bons é inerente à paixão, ... agora na amizade, no amor ... partilha-se os segredos profundos.... "irreveláveis"... as dores... as angústias... partilha-se a vida.

Uma boa noção de estar sendo amado, é poder partilhar as mazelas e ao final da "catarse", ou das lágrimas que caem, ... receber um sorriso, um abraço, um silencioso e profundo abraço... que acalma e reconforta...que traz esperança.

Não é só de momentos alegres que se faz a vida. Até porque não teria graça. Uma hora, os sorrisos ficariam cansativos, repetitivos... amarelos. E nas horas em que o rosto se contrai, é que esperamos ter com quem partilhar.

Desta forma me despeço, tentando partilhar cada tipo de sentimento seu, que por ventura vier assolar a sua alma.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A agitação tomou conta de tudo. Ela tentava parar de pensar, mas a cabeça não deixava... ela tentava ficar quieta e o corpo de uma forma misteriosa insistia em se movimentar. Estava em êxtase. Não significava que estava tudo perfeito, que não tinha mais problemas, ou que fosse relapsa quanto a eles. Ela apenas não conseguia esconder o sorriso do rosto, os saltos de alegria, as expressões de "alívio" terminadas em um longo e estrondoso suspiro: "aaaaahhhhh..".

Voltou a ser criança, a ser adolescente, num corpo de mulher... no cuidado de uma leoa defendendo os seus, nas aspirações de "início de carreira". As idades se mesclavam em corpos diferentes, e ora não se sabia qual havia atingido a maturidade primeiro. Era mágico, não era massante, não caía na rotina. Esse vai-e-vem de sensações, mundos, experiências, passeios, suspiros... aniquilavam qualquer que fosse a dor de um passado não tão distante... como se tivessem apagado-lhe a memória, tirando o trauma, e fazendo-a viver tudo de novo... só que bem melhor.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ela não pediu nada em troca, ela não forçou, ela não disse qualquer coisa que pudesse fazer com que desistisse. Ela não quis nada além de um voto de confiança. Um voto de que tentaria, experimentaria....

Com o passar do tempo... pouco, mas intenso... foi descobrindo aos poucos aquele outro lado da vida. Dos relacionamentos. Da liberdade do amor, da possibilidade de viver ao lado de quem se ama... E quando eu digo: viver, é viver, não apenas conviver. É ter vida. É ter direito de escolha.... aprendeu que assim a escolha será sempre positiva.

Opostos não se atraem... se destroem. À duras penas foi percebendo a diferença entre amar, e amar... Sabe agora dar valor a cada gesto, a cada olhar, a cada pequena demonstração. Ninguém é dono de ninguém. Aquele que ama verdadeiramente não precisa ser possuído... doa-se.

Há sim, o outro lado... e nunca esteve tão feliz em encontrá-lo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A lua naquela distância toda parecia maior que seus pensamentos... que não eram poucos. Elas se pareciam. Como a luz que se via de longe, envolta por toda a escuridão, principalmente com a chegada da noite. Nada mais era como antes. E a cada dia que passava, minguavam-se: os desejos, os apelos, as esperanças. 

Como estava atenta ao céu escuro, e com algumas nuvens não percebeu quando os pingos de chuva, bem finos, começaram a molhar seu rosto. Primeiro alguns pingos imperceptíveis caíram em seus cabelos, e logo depois refrescavam toda a face que estava entumecida com as preocupações que a vida coube em trazer.

Não sabia que aquelas gotas vieram para acalmar sua cabeça e seu coração. Em pouco tempo já não via mais a lua, e junto com a nova "escuridão", deu voo aos maus pensamentos que levemente foram se esvaindo...

Já não se sentia tão brilhante, mas o breu noturno não aterrorizava mais....

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E naquelas horas de angústia, eu percebi que não bastava apenas colocar-te no meu colo, acarinhar seus cabelos e dizer que tudo passaria. Aos poucos estou aprendendo a deixar com que vivam a dor inevitável, o cansaço do dia-a-dia, as pequenas psicoses. Não posso querer sofrer por ninguém. E se sofro, não ameniza nada. Sofrer é difícil, mas necessário.

"O sofrimento amadurece!"... já disse isso outras vezes, e confirmo... sempre.

Confesso que eu estava substancialmente nervosa, e depois de instantes de conversa, como um passe de mágica: passou... ahh... que bom. Não consegui fazer nada além de dar boas doses de sofrimento ao meu coração e dores ao meu estômago.

Seres humanos são possibilitados a sentirem algo com que os faça proteger os outros como a si mesmos. Não que os outros animais não sejam,... mas é diferente. Acho isso lindo... primeiramente, porque é consciente, e logo depois, torna-se inconscientemente uma missão de vida. "Tá aí"... gostei. Quero seguir assim... protegendo os meus como a minha própria vida.