A inquietação era a de uma criança. Já não entendia o por que de tanta aflição, mas sabia que as coisas não estavam em seu lugar. Sim, era preciso esperar... mas... esperar o quê? para quê? Ver os dias passarem como a monotonia das tardes de inverno, e sentir que nada era possível fazer senão esperar, a deixava cada vez mais angustiada.
Queria, ao estalar os dedos, fazer com que tudo fosse diferente. Ou nem tudo... só aquilo que não lhe dava paz. Paz... paz esta que era fundamental para quem já possuía pensamentos fervilhantes. Aquilo era tão intenso, tão forte, que , ao cair no sono ouviu uma voz. Sim! Essa voz. A que aconselha, a que pede: "calma, não adianta apressar o mundo, ele não vai girar mais rápido por isso."
A tal voz misturava-se consigo, e ao acordar já não sabia se era outro, ou ela mesma que explicava para si. Sendo assim, controla-se a cada dia, a cada minuto, para que as tardes, mesmo no inverno, não sejam monótonas, mas que o mundo não deixe de girar na mesma velocidade para ver o sol.