"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

sábado, 30 de novembro de 2013

Já não era mais nenhuma menina... mas os seus olhos transbordavam uma juventude que não cabia em si. A brincadeira se misturava com seu jeito de falar, com o caminhar de suas pernas e com o jogar de seus cabelos. Não era nada modesta em seus gestos, em suas expressões e argumentações. Ela os usava. E como gostava de fazê-lo.

Nas noites de verão, nos dias de inverno seguia a mesma rotina. Não mudava. Quando a criança que havia lá dentro falava mais alto, logo o adulto que dela cuidava arrumava uma maneira de aparecer e dizer que ela não devia ser assim. "Tenho muita coisa pra fazer, agora chega". E simplesmente deixava a criança voltar pro fundo de seu olhar como forma de castigo. Dali ela só iria sair quando o adulto se distraísse.

Era uma pessoa adulta. Os adultos não podem brincar, não podem se jogar na incerteza do futuro... Não podem ser eles mesmos, não podem arriscar. Isso não é nada maduro, isso não pode, isso não deve... "Vai que"... 

Não era culpa dela. Ou até poderia ser... Não era, porque outrora um adulto distinto ensinou-lhe que as crianças deveriam ser guardadas... que os sonhos eram algo de certo modo desnecessários e que dava muito trabalho cultivá-los. Assim, a acomodação dos anos fizeram com que ela aprendesse a esconder aquela criança... aquela menina. Mas também, o medo que ela tinha de ser uma criança no corpo de um adulto dava arrepios... Era nítido como a menina saltava-lhe os olhos. 

Agora ela dorme. A criança liberta está correndo pelos sonhos. E mesmo que não a enxergue através dos olhos, um singelo sorriso no cantinho dos lábios mostra o tanto que sua criança canta... Será que agora é mesmo o adulto que está lá?

Enquanto ela sonha lá, eu sonho aqui, contando os minutos para rever a criança disfarçada no balançar dos seus cabelos e naquela risada gostosa.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Coincidência ou não...

Coincidência ou não, não escrevo há um ano...Exatos 12 MESES!
E por que raios resolvi escrever logo hoje? Não me faça perguntas difíceis. 
É engraçado como quando me sinto mal me dá uma vontade de escrever incrível! Se eu fosse minha orientadora me deixaria triste sempre! ... o pior, não dá vontade de escrever aquilo que eu deveria. Dá vontade de estar aqui... devaneando. Falando do que tem aqui dentro, sabe?

Com o passar do tempo a gente acaba perdendo os pequenos prazeres da vida. Até o de ficar triste e curtir isso, entende?  Quando eu era adolescente tinha mania de sofrer por amor... Digo mania, porque nem amor era. Era uma paixonite. Às vezes era até por um ídolo juvenil que eu sonhava conhecer e não podia. A única coisa que importava era assentar me no chão, apagar a luz do quarto e colocar a música mais triste de todas que eu podia ter em minhas pilhas de CDs. E aí? Eu choravaaaaaa... Pode parecer masoquista, mas era até gostoso! Hoje dá saudade de ter tempo pra curtir a tristeza. 

É importante curtir a tristeza! Uma vez, ouvi de um pesquisador de não sei onde - sou péssima com nomes e lugares - que temos a mania de tirar do ser humano a chance de sentir o sofrimento e a tristeza. Quando somos bebês, caímos, machucamos, começamos a chorar e logo nos pegam no colo dizendo: "não foi nada, não!" FOI SIM!! Doeu, frustrou, chateou... como não foi nada?? A tristeza é importante. Pelo menos eu acredito que a tristeza me faz crescer... de alguma forma! Ou eu fico mais esperta para não cair no mesmo erro, ou eu acordo no dia seguinte tentando achar alguma solução... mas eu mudo! Dou meu jeito.

Agora não tenho tanto tempo para curtir meu "bad day", mas acabei de perceber que não mudei muito. Só arrumei um computador, um blog, e a luz está acesa. Já que as músicas que claro, estão tocando enquanto escrevo, são daquelas "arranca coração". 

Rá! Acabei de sorrir... Estou achando que analisar minha tristeza me deixou feliz. Bom, com mais uma loucura no currículo é hora de me despedir. Espero não demorar mais um ano pra voltar aqui e curar os meus males.

Finalmente no player, uma música feliz-animadora-e-importante pra esse momento... Até!