Estar aqui é como reviver cada segundo de um passado remoto, mas vibrante. Cada lugar tem um significado, uma sombra de conversas, risadas, amigos, amores e desamores. Em cada canto percebe-se uma luta entre aquilo que já foi seu e que nunca mais voltará a ser. A constante ideia do pertencimento volátil, da imagem congelada que atravessou os anos, como uma pintura na parede para lembrar à você que tudo isso aqui não te pertence mais.
No momento em que se percebe que a perda trouxe consigo ganhos inestimáveis, entende-se também que com ela foram levados anos, sonhos, promessas... Dessas que nos fazemos nas passagens de ano, nas passagens das estrelas cadentes,... nas passagens dos amores... Olhar para trás e perceber que o que se sonhou não se sonha mais é devastador, mas reconfortante.
Compreender o caminho tênue entre o perder e o ganhar não se dá com os dias, com os meses. Se dá exatamente, com aquilo que se perdeu. À duras penas, comecei a ter ideia da importância de se deixar coisas para trás para conseguir colocar outras nesse bau da vida. Não é facil. Mas o que é fácil quando não se tem certeza para onde darão as placas nesse percurso?
Enfim, já esvaziei bastante para que agora, possa preencher o bau e o daquilo que me transborda a alma.