"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Havia uma luz acesa nos fundos da casa. Ela mostrava que tinha alguém ali. Era como um aviso: "não se aproxime, estamos aqui dentro". Dentro dela não havia ninguém. Aliás, ninguém com quem pudesse conversar, contar como foi o dia, ou até mesmo brigar por motivo fútil na hora do jantar. Era alguém que estava ali, mas não estava lá. 

Do lado de fora ouvia-se o cricrilar das cigarras e o barulho da brisa que batia nas folhas das árvores. Tinha um certo medo. Mas a vontade de ficar só, superava qualquer pensamento de impotência diante do mal. A palavra de ordem era: "não pensar". E nesse : "não pense, não pense, é pior", ficou uma noite inteira. Estava sob as cobertas. Olhava pro teto. Não queria ligar a TV. Não queria barulho. Ouvia alto seu pensamento dizer: "o que se faz agora?". Mas não tinha forças. Não queria. Não queria imaginar a batalha que travaria em nome de qualquer coisa que fosse. Já se sentia na guerra. Só. Mas no campo de batalhas. 

Virou-se de lado e avistou  a janela da casa vizinha. Acesa. Nela enxergava pessoas rindo, felizes. Por segundos se imaginou assim. Mas não conseguiu conviver muitos instantes com aquilo. Preferia que os raios do sol resolvessem seus problemas ao amanhecer... e torcia para que mais uma noite demorasse a chegar.

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