"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

quarta-feira, 7 de março de 2012

Com o passar dos anos já não se consegue enxergar todas as cores, todos os tons... a nitidez está comprometida. Os anos levam o delinear, os contornos... como se eles deixassem de existir "no que se vê", e passassem a se fixar "em quem os vê". Os anos dão sinais, trazem cicatrizes... que por vezes deixam de ser externas. 

Seria implacável a ação do tempo sobre qualquer que fosse aquele que tentasse atravessar os ponteiros do relógio?...

Infelizmente, a melhor máquina do tempo que conseguiram fazer até hoje é a tal da lembrança. Permite  nos transportar de volta à infância... ao primeiro "tombo" de bicicleta, ... à adolescência,... ao primeiro beijo... à primeira desilusão... momentos alegres... tristes... Mesmo assim, somente como um bom observador. Só assistimos de fora. Nada de interferência. O que já foi feito... está lá.

Entretanto, não pretendo aqui julgar os atos e as escolhas feitas. Apenas paro para pensar o quanto o tempo é sábio. O quão importante é a ação dele sobre a vida. Não há maneiras de retroceder, mas há caminhos de, por um engrandecimento dado pelo passado, agir de maneira diferente para que não se crie mais arrependimentos. 

O tempo nos marca, e a cada "risco" possuímos uma nova característica, que somada àqueles momentos alegres e tristes, nos torna únicos. E nada mais precioso do que sermos únicos. Agradeça ao tempo, que a cada  segundo lhe torna mais experiente, mais peculiar, mais... único.

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