Naquele mundo cor de rosa, algumas vezes as paredes se pintavam de lilás... outras vezes um escuro absoluto tomava conta do quarto. Mas ainda sim, na fresta que restava, enxergava o feixe de luz, tímido, quieto, quase imperceptível. E foi aí que confundi a minha história com a dela.. Poliana... conhece?
Acabei fazendo parte daquele que se intitulava o "jogo do contente". Não era por falta de tristeza, de rancor, de mágoa, ou de sofrimento. Não era uma inexperiência que se misturava à alienação de uma juventude na "redoma". Era tentar realmente dar sentido àquilo que não parecia mais ter. Era apostar no futuro... melhor, imprevisivelmente positivo.
É difícil ser assim. É complicado ver o lado bom das coisas, sempre, ... principalmente quando parece que a parte ruim ficou só para você. É difícil acalentar um coração tristonho ao lado de uma intrépida e sarcástica risada de desprezo. Mas ai, ela volta. Poliana.
"- É um jogo lindo. ...
- Como é que se joga? –
quis saber Nancy....
- ... Desde aquele dia, quando acontece
alguma coisa ruim,
mais engraçada fica o jogo. Difícil foi quando papai
morreu e eu fiquei sozinha com as senhoras da ‘Auxiliadora’…
- E quando viu
aquele quartinho feio, sem tapetes, sem quadros, sem graça? Como foi? –
perguntou Nancy.
- Foi duro. Eu me senti tão só! Naquela hora não tive
vontade de ‘jogar’. Só me lembrava do que
eu tanto havia desejado. Depois,
lembrei-me do espelho e das minhas sardas e fiquei alegre.
E o ‘quadro’ da
janela me deixou mais contente ainda. Com um pouco de esforço,
conseguimos
gostar do que encontramos e esquecer o que queríamos achar”.Agora me vejo assim... "polianamente" tentando, diariamente, ser feliz com o que tenho, e não lamentando aquilo que perdi, ou que nunca terei. EU QUERO acreditar que as coisas estão dando certo, e darão! Pensar em como seria é tão vago, quanto a alegria que esse futuro..."mais que imperfeito" pode trazer. Tenho o agora, o hoje,... amanhã pode ser tarde demais buscar a minha felicidade.
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