"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E numa súbita lucidez, me vi mergulhada naquilo que consideravam absurdo. Procurar alegrias? Para quê? A realidade da vida é bem outra. As coisas não são como queremos, e parece que quanto mais as desejamos, elas se vão por entre os dedos. Mas ainda sim insisti em tentar. Insisti em ser diferente, insistia em acreditar. Insistia?.... Insisto!

Naquele mundo cor de rosa, algumas vezes as paredes se pintavam de lilás... outras vezes um escuro absoluto tomava conta do quarto. Mas ainda sim, na fresta que restava, enxergava o feixe de luz, tímido, quieto, quase imperceptível. E foi aí que confundi a minha história com a dela.. Poliana... conhece?

Acabei fazendo parte daquele que se intitulava o "jogo do contente". Não era por falta de tristeza, de rancor, de mágoa, ou de sofrimento. Não era uma inexperiência que se misturava à alienação de uma juventude na "redoma". Era tentar realmente dar sentido àquilo que não parecia mais ter. Era apostar no futuro... melhor, imprevisivelmente positivo.

É difícil ser assim. É complicado ver o lado bom das coisas, sempre, ... principalmente quando parece que a parte ruim ficou só para você. É difícil acalentar um coração tristonho ao lado de uma intrépida e sarcástica risada de desprezo. Mas ai, ela volta. Poliana.

"- É um jogo lindo. ...
- Como é que se joga? – quis saber Nancy....

- ... Desde aquele dia, quando acontece alguma coisa ruim,
mais engraçada fica o jogo. Difícil foi quando papai morreu e eu fiquei sozinha com as senhoras da ‘Auxiliadora’…
- E quando viu aquele quartinho feio, sem tapetes, sem quadros, sem graça? Como foi? – perguntou Nancy.
- Foi duro. Eu me senti tão só! Naquela hora não tive vontade de ‘jogar’. Só me lembrava do que
eu tanto havia desejado. Depois, lembrei-me do espelho e das minhas sardas e fiquei alegre.
E o ‘quadro’ da janela me deixou mais contente ainda. Com um pouco de esforço,
conseguimos gostar do que encontramos e esquecer o que queríamos achar”.



Agora me vejo assim... "polianamente" tentando, diariamente, ser feliz com o que tenho, e não lamentando aquilo que perdi, ou que nunca terei. EU QUERO acreditar que as coisas estão dando certo, e darão! Pensar em como seria é tão vago, quanto a alegria que esse futuro..."mais que imperfeito" pode trazer. Tenho o agora, o hoje,... amanhã pode ser tarde demais buscar a minha felicidade.

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