"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

domingo, 25 de novembro de 2012

A Arte do "não reclamar"

E de repente você se vê em meio a um grande desafio: ficar uma semana sem reclamar. A princípio recebi a notícia de forma tranquila, e na mesma hora imaginei "ahh... nada tão difícil assim"... Mas o desafio não parava por ai: "ao invés de reclamar, você vai AGRADECER". Bom, nada tão impossível de se fazer... e como eu  me considero nada competitiva (nem comigo mesma, rs.. hammm hammm,..rsrs) agarrei a possibilidade com unhas e dentes. "Não vou reclamar de nada, só vou agradecer, é mole, mole!"

Ahhhh... doce ilusão. E então você se vê em uma semana extremamente controversa. De um lado fatos agradáveis, reunião com os amigos, sábado de sol, domingo chuvoso, leituras agradáveis, cerveja gelada e muitas risadas. Mas em compensação... o tal "equilíbrio universal" resolveu deixar minha missão mais difícil. Alias... BEM mais difícil. 

Pronto: estou em uma semana de resoluções. Da conquista do lugar ao sol, do firmar-se, ser de poderes, deveres E direitos, na semana da busca pelo ser independente e resoluto. E vamos e convenhamos, não vi ninguém conseguir isso só agradecendo! Não dá para "brigar" por espaço, por reconhecimento sem fazer umaaa reclamaçãozinhaaa se quer. Não consigo.

OK, OK.. já estou tentando, mas se há alguém aí que consiga tal façanha, primeiro: me dê um autógrafo! Segundo: me ensine! 

Se tornar um ser melhor é realmente uma tarefa complexa... mas bem... como não posso continuar aqui reclamando que não posso reclamar,... vou agradecer a possibilidade de estar escrevendo... de saber que pelo menos uma pessoa irá ler isso... e de que alguma maneira estou tentando cumprir com a minha "missão".

PONTO PRA MIM! rs .

sábado, 20 de outubro de 2012

Já fui cobrada hoje pela ausência neste blog, mas não só por isso resolvi escrever aqui. Esse mês, acredito (porque ainda não conferi) que este mesmo "folhetim" que já fora mais recorrente, faz um ano! (eeee \o/).

Um ano em que muita coisa aconteceu... E você, caro leitor(a) deve pensar: "Claro! Um ano = 365, ou melhor 366 dias, é tempo suficiente para acontecer muita coisa!". Concordo... mas dessa vez aconteceram muito mais coisas!

Ano de muita dedicação, de muito suor, esforço físico e mental. Muitas noites de sono perdidas, e não foram em baladas... Muitas preocupações, muito choro de tristeza... mas muito amor. "Ora! Que clichê! Amor... lá vem!"... Sim!! Amorr!!!

Esse ano foi um ano para me sentir amada. Reconquistei um grande amor da minha vida, transvestido em uma amizade antiquíssima, mas que de tantos espaços e desencontros que a rotina doentia nos impôs, ficou sendo observando ao longe... mas que hoje está mais perto do que nunca.

Me tornei amiga de uma "paixão". Como é bom achar sentimentos certos, nos lugares e nas pessoas certas, e descobrir que se pode mais gostando diferente!

Percebi que o meu AmorAvô me amava mais que tudo, e que até nos últimos segundos em que ele pode sentir algo, ele sentiu amor. E o mais importante e inesquecível... por mim.

Conheci o grande amor da minha vida. "Ok, sempre achamos que esse é o amor da nossa vida até vir o próximo"... mas seguindo a ideia de que seja "eterno enquanto dure", este tornou cada momento deste um ano em eterno. Me mostrou que para ser amor podem existir dois, que pra ser de verdade não precisa ser amarrado, sufocado, anulado. Me ensinou a amar... tem coisa mais eterna que isso?

Estou tentando de maneira diferente crescer no amor, e não na dor... como fui acostumada por toda uma vida. Amar me torna melhor, maior. Me faz sentir que a cada pontinha de tristeza, de desalento, de algum lugar vai surgir um amor, e que esse vai me colocar de pé. Tenho certeza.

Que eu possa comemorar com vocês mais datas assim, celebrando o amor... e que ele se espalhe entre vocês...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Detesto programas de concurso na TV. Não gosto. E nem é por desacreditar na minha presença neles... não... Só não tenho gosto pelo julgamento. Não acho que sejamos aptos a chegar para "um certo alguém" e dizer: "você não nasceu pra isso!"... Quanta pretensão!

Se fosse fácil assim todos os jogos terminariam empatados, na rua só existiriam os melhores motoristas, nas novelas os melhores atores, e nas rádios as melhores músicas... será?

É, talvez eu pense assim por não ser a melhor aluna, a garota mais bonita, a melhor cantora, a melhor violonista, a melhor professora, a melhor namorada, a melhor nadadora, a melhor jogadora,... Nunca fui a melhor em nada! Até na fila da escola eu ficava no meio. Não era nem tão alta, nem tão baixa,... nem tão gorda, nem tão magra... Sim, ter o título de mediana às vezes compromete mais que o título de "você não nasceu pra isso".


Talvez por esse motivo, pela medianidade da minha vida eu acredite que não devamos julgar ninguém. Não acredite que seja uma pessoa boníssima, porque como já disse sou mediana. Sou boa e ruim. Faço meus julgamentos... Ok! A vida também é feita de escolhas... mas chegar ao ponto de dizer: "você não nasceu pra isso..." Seria como delegarmos à nós mesmos o poder de julgadores do destino alheio, e por consequência réus dos outros...

Pois é... vamos assistir novela... como as histórias nunca mudam mesmo, o destino nelas não há de ser tão cruel.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Descobri o lado bom de andar na esteira:  está me economizando boas horas de psicólogos, e travesseiros abraçados para segurar o choro. Algumas horas da vida da gente parecem querer que você se desespere, e saia correndo à ermo, como se quisesse fugir. Por todos os lados aparecem situações conflitantes, doenças, a eminência da perda, o sofrimento dos que você ama, stress, cobranças... e é tão difícil se manter firme.

Tento pensar e tomar cada dia como se eu estivesse andando de bicicleta. Se eu parar, e não tiver onde colocar os pés, eu vou cair. Então a saída que encontrei foi "simples". Resolvi me manter em movimento. Para que todos os entraves não se tornem maiores do que já são, e não tomem uma proporção gigante dentro de mim. Não tem resolvido, mas tem ajudado!

Passei mais de um ano acreditando que tudo que estava faltando para mim era uma boa dose de exercício físico, uma possibilidade de voltar aos estudos, e um grande "novo" amor. Não estava errada. Hoje tenho feito academia três vezes por semana, estudando loucamente e amando mais que tudo. Mas ainda falta... Falta PAZ!. O corpo está bom, a mente também... o coração... sem reclamações... aí parei pra prestar atenção, para um quarto elemento à quem não tinha me atentado: o espírito.

É... não era papo de carola, nem tentativa dos meus queridos espíritas em tentar me convencer que tem "alguém a mais do seu lado". (Re) Percebi a existência dele quando eu estava fazendo tudo certo, mas tinha um lugarzinho doído... que às vezes me fazia chorar mais... 

100% feliz?? Ninguém é, mas só de reencontrar esse último e importantíssimo elemento que estava esquecidinho no fundo da gaveta, me fez querer cuidar mais. E já que não posso resolver os problemas do mundo, vou resolver os do meu espírito, que como uma criança faminta, está chorando para que eu a alimente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A inquietação era a de uma criança. Já não entendia o por que de tanta aflição, mas sabia que as coisas não estavam em seu lugar. Sim, era preciso esperar... mas... esperar o quê? para quê? Ver os dias passarem como a monotonia das tardes de inverno, e sentir que nada era possível fazer senão esperar, a deixava cada vez mais angustiada.

Queria, ao estalar os dedos, fazer com que tudo fosse diferente. Ou nem tudo... só aquilo que não lhe dava paz. Paz... paz esta que era fundamental para quem já possuía pensamentos fervilhantes. Aquilo era tão intenso, tão forte, que , ao cair no sono ouviu uma voz. Sim! Essa voz. A que aconselha, a que pede: "calma, não adianta apressar o mundo, ele não vai girar mais rápido por isso."

A tal voz misturava-se consigo, e ao acordar já não sabia se era outro, ou ela mesma que explicava para si. Sendo assim, controla-se a cada dia, a cada minuto, para que as tardes, mesmo no inverno, não sejam monótonas, mas que o mundo não deixe de girar na mesma velocidade para ver o sol.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Estou livre!!! Sim, livre, liberta, curada!! Descobri, que não me traio mais. Não me troco por outra pessoa, não desejo ser diferente para agradar outro que não seja EU! 

Prometo que aqui não estou fazendo apologias à solidão ou ao "não ame para não sofrer"... pelo contrário!

É tão bom saber que as amarras se soltaram e que o que causava medo, angustia,... se tornou trivial... comum. Como se sentisse o vento no rosto numa tarde de verão, quando o carro está em movimento! Sabe o que eu digo? Aquele mergulho no mar, que renova o corpo e a alma. 

Engraçado, que as vezes me pego sendo conselheira do desconhecido, mas também tirei uma boa conclusão disso: não diminui, não te deixa em posição de desvantagem, não te atrapalha. Quer coisa melhor do que sentir-se útil, e mais, tentar alertar para que outros não cometam o mesmo erro que você, e por isso se poupem de sofrimento?! Ótimo, vamos compartilhar o amor, a palavra que acalenta. Vamos nos amar mais, para que possamos amar mais, e melhro! Libertemo-nos das algemas dos medos, das dúvidas. Vivamos mais e sejamos felizes!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sentiu-se certo de suas escolhas. O cheiro alimentava em si essa certeza. Confortava, acalentava, trazia pelo olfato a plenitude dele mesmo.  Em instantes parecia que nada mais era realmente importante, e que estava completo para viver e lutar contra exércitos se preciso fosse.

E assim foi embora, de alma cheia, lavada. Queria acelerar o tempo, apressar tudo... para que chegasse o logo o dia em que se fundiriam e se tornariam um só. 

Mas havia um problema. Esqueceu que adiantar o relógio não faria as coisas chegarem depressa... e se viu no presente. O passado, lá atrás, aparecia para reafirmar a certeza que os perfumes traziam à si, o presente era encarado como uma ponte, que deveria ser atravessada rapidamente, pois muito balançava e trazia com ela a efemeridade dos passos no tempo.... o futuro... ahhh o futuro.... muito aguardado. 

Sim... sentia medo. Estar no futuro não garantia a realização dos seus desejos e seu maior medo era a manutenção daquilo que o incomodava. Mesmo assim... queria o futuro... como nunca havia desejado nada em sua vida. Queria que aquele cheiro deixasse de vir do ar, e amanasse de si. 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Bom dia para falar sobre o amor...  É tão bom se sentir amado, não é? Acalenta, protege, aquece... adoro me sentir assim. Mas ainda prefiro amar. Já ouvi várias vezes dos bons psicanalistas: "o amor está no ser amante e não no ser amado"... e concordo muito. Amar é confiar, entregar, despir-se de tudo que possa te amarrar, e assim, se tornar inteiro. 

Sentir-se amado reforça o amor... mas por si só não tem esse poder todo. 

O dia dos namorados traz consigo dois únicos sentimentos: o de repúdio - por estar sozinho, ou ter um namorado(a) que te faz sentir como se estivesse sozinho,  ou o de amor total. Já passei por ambos, e sei que são intensos... podem acreditar.

Mas voltando ao amor, que para muitos é clichê, para mim é a razão da minha existência (outro clichê). Sim... sem amor nada tem sentido... graça. E quando digo AMOR, não digo simplesmente por alguém, digo pelos nossos atos, pelo que fazemos. Amor é importante para acordar. Te deixa bem disposto, querendo enfrentar os problemas, as dificuldades... assim como o amor à alguém(ns). 

Encerro-me aqui dizendo : AME. isso basta.

sábado, 26 de maio de 2012

Antes eu não entendia muito bem o significado das flores. Algo qualquer. Presente efêmero... Em algum momento havia significado, mas há tempos que não importava mais.

O desabar de sonhos, de certo modo, podam nossos jardins. E a partir deste momento, as flores já não fazem mais sentido. Perfume, cor... para quê? Para morrerem no dia seguinte, e toda aquela beleza se esvair, como água por entre os dedos??

Passam os dias, as noites,... e de uma hora para outra, toda aquela lágrima que se apoderou do terreno sem nenhuma flor, começa a fazer efeito. Como se aos poucos fossem replantados os sonhos, e o jardim volta a crescer. Algumas vezes, o nosso jardim precisa de cuidado, de carinho, e a beleza de repente volta a tomar conta de tudo.

Foi assim que as flores voltaram a fazer significado para mim. Elas não representam eternidade, representam a beleza do momento. A vida é feita de momentos felizes, e a flor representa isso,... ou muito mais que isso, representa o cuidado que alguém quer dispensar no jardim do outro,... tomando conta, mantendo para que ele não seja devastado e tenha que esperar "as águas" para que voltem a brotar.

Flor para mim é isso: cuidado, beleza, carinho,... amor.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O tempo faz questão de consumir os pequenos momentos de prazer atrelados aos de reflexão. Dessa forma fui impedida de escrever por tanto tempo. Mesmo assim a vontade não foi diminuída pela correria. 

Acredito que o momento foi diferente desta vez. A composição foi deixada de lado para a escuta. A escrita pela leitura. É o momento de absorver. Aprender, apreender. Não somente expor o que eu tenho pra dizer, o que sinto, na verdade. Os ventos trouxeram conhecimento, sabedoria. Não quero gabar-me ao dizer sabedoria. Aprender a escutar é uma grande virtude, e muito difícil de ser entendida. Demorei para entender. E às vezes me pego relutante quanto à isso. Parece que tenho tanto a dizer. E tenho. Independente disso resolvi parar para ouvir.... É... me fez bem. Até agora não tenho do que reclamar.

Não que este período tenha sido improdutivo, mas aumentou meu arcabouço... ampliou meus horizontes.. calou-me para que quando eu resolva falar, nada seja em vão. E não será. Já não sou mais a mesma... e só isto já me basta.


terça-feira, 27 de março de 2012

Na hora em que abriu o livro, sentiu as páginas revelarem mais do que pensava. Parecia que sua vida passava diante seus olhos, comprimidas em pequenas letrinhas. Carregavam consigo toda a significação de seus melhores e piores momentos.

Percebeu que a cada página, seu esforço de uma vida inteira era decodificado. Que noites em claro folheando outros como aquele poderiam fazer sentido... que esforços não eram em vão, e que pelas vezes em que escutava os risos de descontração que vinham lá debaixo, enquanto fazia-se enclausurada exercitando o hábito do apreender, poderiam ser recompensados.

A recompensa não era material. Não mesmo. Aliás, seria interessante se fosse... somente para variar um pouco... mas não. A casca não revelava quantas milhares de letrinhas pequenas, como aquelas, faziam inúmeras conexões em seu interior. Somado ao que aprendeu em duros caminhos pela vida, ainda havia muito o que pensar, muito em que se pensar e muito do que se pensou. E quando das idéias confusas saiu um belo sopro, transformado em comentário, viu à sua volta olhares de exclamação. Aí sim. Teve certeza! Tudo valeu muito a pena!

terça-feira, 13 de março de 2012

Tinha tentado escrever por vezes. A cada duas frases, a tela retornava branca... assim como surgiu. Não que não tivesse nada para escrever, ou que nada de produtivo passasse pela sua cabeça... mas não sabia como. O pensamento não tomava forma. Era bom mas não se personificava, nem se auto-retratava.

Aos poucos foi se preocupando menos em achar uma lógica para todo esse processo, e passou a pensar menos na obrigação. Escreve-se por sentimento. Porque algo transborda-lhe o corpo, os dedos, e simplesmente todo esse "furor" é revertido em palavras. Nem sempre belas, ou organizadas... mas sinceras.

E daí, a ter que escrever porque sabia que deveria, fez perder todo o sentido. Quando da sua cabeça saiu a vontade adulta de ser "escritora de sonhos" e passou a ser "sonhadora dos escritos", tudo pareceu melhor. Era fácil. As palavras vinham à sua cabeça em uma velocidade assustadora, que ficava até difícil de escrever. Ou melhor... as palavras vinham de sua alma... 

Está aí. Encontrou a fórmula novamente. A questão principal não era o pensamento. Era o sentimento.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Com o passar dos anos já não se consegue enxergar todas as cores, todos os tons... a nitidez está comprometida. Os anos levam o delinear, os contornos... como se eles deixassem de existir "no que se vê", e passassem a se fixar "em quem os vê". Os anos dão sinais, trazem cicatrizes... que por vezes deixam de ser externas. 

Seria implacável a ação do tempo sobre qualquer que fosse aquele que tentasse atravessar os ponteiros do relógio?...

Infelizmente, a melhor máquina do tempo que conseguiram fazer até hoje é a tal da lembrança. Permite  nos transportar de volta à infância... ao primeiro "tombo" de bicicleta, ... à adolescência,... ao primeiro beijo... à primeira desilusão... momentos alegres... tristes... Mesmo assim, somente como um bom observador. Só assistimos de fora. Nada de interferência. O que já foi feito... está lá.

Entretanto, não pretendo aqui julgar os atos e as escolhas feitas. Apenas paro para pensar o quanto o tempo é sábio. O quão importante é a ação dele sobre a vida. Não há maneiras de retroceder, mas há caminhos de, por um engrandecimento dado pelo passado, agir de maneira diferente para que não se crie mais arrependimentos. 

O tempo nos marca, e a cada "risco" possuímos uma nova característica, que somada àqueles momentos alegres e tristes, nos torna únicos. E nada mais precioso do que sermos únicos. Agradeça ao tempo, que a cada  segundo lhe torna mais experiente, mais peculiar, mais... único.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A partilha é algo fundamental na vida de qualquer ser humano... principalmente nos que foram tomados por um súbito sentimento denominado: amor.

Partilhar significa dividir, mas sem "ratear", é algo maior, como um compartilhamento de ações, sensações, emoções. Partilhar momentos bons é inerente à paixão, ... agora na amizade, no amor ... partilha-se os segredos profundos.... "irreveláveis"... as dores... as angústias... partilha-se a vida.

Uma boa noção de estar sendo amado, é poder partilhar as mazelas e ao final da "catarse", ou das lágrimas que caem, ... receber um sorriso, um abraço, um silencioso e profundo abraço... que acalma e reconforta...que traz esperança.

Não é só de momentos alegres que se faz a vida. Até porque não teria graça. Uma hora, os sorrisos ficariam cansativos, repetitivos... amarelos. E nas horas em que o rosto se contrai, é que esperamos ter com quem partilhar.

Desta forma me despeço, tentando partilhar cada tipo de sentimento seu, que por ventura vier assolar a sua alma.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A agitação tomou conta de tudo. Ela tentava parar de pensar, mas a cabeça não deixava... ela tentava ficar quieta e o corpo de uma forma misteriosa insistia em se movimentar. Estava em êxtase. Não significava que estava tudo perfeito, que não tinha mais problemas, ou que fosse relapsa quanto a eles. Ela apenas não conseguia esconder o sorriso do rosto, os saltos de alegria, as expressões de "alívio" terminadas em um longo e estrondoso suspiro: "aaaaahhhhh..".

Voltou a ser criança, a ser adolescente, num corpo de mulher... no cuidado de uma leoa defendendo os seus, nas aspirações de "início de carreira". As idades se mesclavam em corpos diferentes, e ora não se sabia qual havia atingido a maturidade primeiro. Era mágico, não era massante, não caía na rotina. Esse vai-e-vem de sensações, mundos, experiências, passeios, suspiros... aniquilavam qualquer que fosse a dor de um passado não tão distante... como se tivessem apagado-lhe a memória, tirando o trauma, e fazendo-a viver tudo de novo... só que bem melhor.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ela não pediu nada em troca, ela não forçou, ela não disse qualquer coisa que pudesse fazer com que desistisse. Ela não quis nada além de um voto de confiança. Um voto de que tentaria, experimentaria....

Com o passar do tempo... pouco, mas intenso... foi descobrindo aos poucos aquele outro lado da vida. Dos relacionamentos. Da liberdade do amor, da possibilidade de viver ao lado de quem se ama... E quando eu digo: viver, é viver, não apenas conviver. É ter vida. É ter direito de escolha.... aprendeu que assim a escolha será sempre positiva.

Opostos não se atraem... se destroem. À duras penas foi percebendo a diferença entre amar, e amar... Sabe agora dar valor a cada gesto, a cada olhar, a cada pequena demonstração. Ninguém é dono de ninguém. Aquele que ama verdadeiramente não precisa ser possuído... doa-se.

Há sim, o outro lado... e nunca esteve tão feliz em encontrá-lo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A lua naquela distância toda parecia maior que seus pensamentos... que não eram poucos. Elas se pareciam. Como a luz que se via de longe, envolta por toda a escuridão, principalmente com a chegada da noite. Nada mais era como antes. E a cada dia que passava, minguavam-se: os desejos, os apelos, as esperanças. 

Como estava atenta ao céu escuro, e com algumas nuvens não percebeu quando os pingos de chuva, bem finos, começaram a molhar seu rosto. Primeiro alguns pingos imperceptíveis caíram em seus cabelos, e logo depois refrescavam toda a face que estava entumecida com as preocupações que a vida coube em trazer.

Não sabia que aquelas gotas vieram para acalmar sua cabeça e seu coração. Em pouco tempo já não via mais a lua, e junto com a nova "escuridão", deu voo aos maus pensamentos que levemente foram se esvaindo...

Já não se sentia tão brilhante, mas o breu noturno não aterrorizava mais....

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E naquelas horas de angústia, eu percebi que não bastava apenas colocar-te no meu colo, acarinhar seus cabelos e dizer que tudo passaria. Aos poucos estou aprendendo a deixar com que vivam a dor inevitável, o cansaço do dia-a-dia, as pequenas psicoses. Não posso querer sofrer por ninguém. E se sofro, não ameniza nada. Sofrer é difícil, mas necessário.

"O sofrimento amadurece!"... já disse isso outras vezes, e confirmo... sempre.

Confesso que eu estava substancialmente nervosa, e depois de instantes de conversa, como um passe de mágica: passou... ahh... que bom. Não consegui fazer nada além de dar boas doses de sofrimento ao meu coração e dores ao meu estômago.

Seres humanos são possibilitados a sentirem algo com que os faça proteger os outros como a si mesmos. Não que os outros animais não sejam,... mas é diferente. Acho isso lindo... primeiramente, porque é consciente, e logo depois, torna-se inconscientemente uma missão de vida. "Tá aí"... gostei. Quero seguir assim... protegendo os meus como a minha própria vida.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dias em que se comemora qualquer bom fato da vida, traz consigo a esperança da perpetuação dos bons momentos, das boas lembranças, dos belos sorrisos, dos  prolongados suspiros. Traz consigo os dias de sol, o aroma das noites de verão, o sabor doce da vida. 

Comemora-se hoje o início concreto de uma nova era. Era essa que não se mensurará apenas pelo contar dos dias, das horas, ... serão contabilizados, também, os segundos que não passam, o inebriar do olhar que congela a cena e aquece o coração, as manhãs que se iniciam cantarolantes...

Espera-se assim que a comemoração nunca acabe. Porque ao comemorar, a minha alma celebra a volta à vida. 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sentiu-se presa. Sufocada. Parecia que havia cortado parte de suas asas, e assim ficava muito difícil voar. Não era justo. São tantos jardins, tão belos... desta maneira é praticamente  impossível apreciá-los. A vista lá de cima é tão melhor. Não quer dizer que sobrevoar longos caminhos, a fizesse esquecer o caminho de volta para o ninho.

Lá de cima da árvore olhava tudo a sua volta. O vento batia em seu corpo como quem chamasse de volta ao movimento da vida. Mas não adiantava. Não podia voar. Até apreciava o girar de outros pássaros... mas tudo parecia muito distante. 


De repente uma das flores que ficava próxima ao seu ninho tocou seu corpo, ao se balançar com o vento. Ela exalava um perfume inconfundível, e que a tranquilizou. Nesse momento ela parou e entendeu que ainda era cedo para voar. Mas que a hora que isso acontecesse, seria muito melhor do que desejou.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estava dentro daquele barco. As ondas eram tranquilas. Havia alguns barcos em volta, que seguiam o seu. Sabia que o vento iria tocar para o rumo certo. 

Faltando pouco para chegar na praia, olhou para trás e percebeu que os barcos não seguiam mais o seu. Ela via a praia, estava maravilhada com tamanha beleza e paz, que vinham dela. O clima era agradável... o som também. Parecia ser o lugar ideal... que estava procurando.

Então ela olhou para trás novamente, para garantir se não havia mais nenhum barco que a seguisse. "Talvez eles tivessem achado outra rota. Aportado em alguma ilha... procurado seu próprio caminho..." Deixar de ser seguida pelos outros barcos não tirou a felicidade de ter encontrado a ilha. Mas lá no fundo ela sentia ... algo pequeno, como um leve saudosismo de alguma férias de verão... Era estranho. Era bom ser seguida. Fazia com que ela se sentisse bem. Segura de guiar o caminho... mas isso já não acontecia mais.

Suspirou. Percebeu que talvez essa ilha só fosse boa para o que estava procurando, e talvez nem quisesse dividir o que havia nela. Talvez os outros barcos não quisessem aportar ali... as águas poderiam ser quentes demais, diferentemente do que eles se interessariam... E assim, se deu conta de aquela rota era só sua. Finalmente havia achado o "X" do mapa.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tem sido muito importante escrever. Nem sempre expresso aquilo que sinto, mas talvez aquilo que sentem. Sentir... adoro sentir. Obviamente que quanto melhor o sentimento, melhor o sentir, mas me dói mais, perceber que os dias passam sem vida, sem cor, nem com o cinza da tristeza.

A fase é boa. Fase nova. De crescimento pessoal, de entendimento pessoal, de luta para ser melhor, maior, ou simplesmente diferente. Ser diferente faz com que você não queira nivelar-se, padronizar-se. O padrão é chato. Não estou dizendo para radicalizar, pois o radical é tão chato quanto o padrão. A questão é ser você. E somos diferentes.. é isso que nos torna interessantes. 

Aprendizado: resume tudo. Gosto de aprender. Sempre gostei. Às vezes se torna um defeito, pois espero aprender muito de coisas variadas, e acabo caindo na superficialidade de alguns temas. De qualquer maneira, isso me fascina. 

Espero que os novos aprendizados gerem bons frutos. Gerem maturidade e consciência... não tenho querido muito mais que isso. O resto há de vir com o tempo...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Havia uma luz acesa nos fundos da casa. Ela mostrava que tinha alguém ali. Era como um aviso: "não se aproxime, estamos aqui dentro". Dentro dela não havia ninguém. Aliás, ninguém com quem pudesse conversar, contar como foi o dia, ou até mesmo brigar por motivo fútil na hora do jantar. Era alguém que estava ali, mas não estava lá. 

Do lado de fora ouvia-se o cricrilar das cigarras e o barulho da brisa que batia nas folhas das árvores. Tinha um certo medo. Mas a vontade de ficar só, superava qualquer pensamento de impotência diante do mal. A palavra de ordem era: "não pensar". E nesse : "não pense, não pense, é pior", ficou uma noite inteira. Estava sob as cobertas. Olhava pro teto. Não queria ligar a TV. Não queria barulho. Ouvia alto seu pensamento dizer: "o que se faz agora?". Mas não tinha forças. Não queria. Não queria imaginar a batalha que travaria em nome de qualquer coisa que fosse. Já se sentia na guerra. Só. Mas no campo de batalhas. 

Virou-se de lado e avistou  a janela da casa vizinha. Acesa. Nela enxergava pessoas rindo, felizes. Por segundos se imaginou assim. Mas não conseguiu conviver muitos instantes com aquilo. Preferia que os raios do sol resolvessem seus problemas ao amanhecer... e torcia para que mais uma noite demorasse a chegar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ela tem dormido diferente. Tem acordado diferente. O céu não anda lá tão azul e nem as estrelas tem aparecido. Mesmo assim, ela tem percebido os dias, e as noites de forma diferente. Estranha e positivamente diferente. Nem os ventos das tempestades têm esfriado seu coração. Sente-se como acolhida em nuvens. 

Também não podia ser diferente. Ela resolveu lutar por algo que não tinha certeza se valia mais a pena. Lutar por ela. Sim! Por ela! Por que não? Com todos os intemperes da vida esqueceu-se de lutar por si mesma. Preocupou mais com a felicidade daqueles que a cercava, que com sua própria. 

Não tem problema. Isso também já não importa mais. Resolveu viver o presente. O passado, como se diz é um livro acabado. O máximo que pode-se fazer é dar uma olhada para relembrar o que nele fora escrito. E o futuro... ah.... o futuro... Não pertence à ela. Ela não manda em nada - já percebeu isso também. Assim, resolveu aproveitar o intervalo, entre passado e futuro. 

Ela não promete. Promessas podem ser desfeitas ao sopro. Ela não ilude. Ela vive. Ela sente. E isso basta...