"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Muito cuidado com o que você deseja". Essa frase se tornou recorrente em minha mente, nos últimos dias. Sim. Comecei o primeiro mês deste ano desejando... e desejei. Como naquela canção : "eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida"... Achei pudesse ser invenção. O que eu entendia por esse tipo de sentimento era algo bem mais passional, intenso. Não que agora não seja. Mas o tempo passa e não podemos manter os 18 anos eternamente... a turbulência pode atrapalhar o voo. 

Quando o ano vai terminando, e ainda não conseguimos o que planejamos, jogamos para o ano seguinte os mesmos pedidos, na esperança de suas realizações... certo? Errado!... o ano está terminando... ele não acabou. 

Mudei meus conceitos. 

O jogo só termina no apito final, a brincadeira só acaba quando se guarda a boneca, o sonho só se finda quando acordamos. Exatamente. Eu achei que meu desejo pra o presente ano tinha sido cultivado em tentativas sem sucesso de felicidade compartilhada...

Foi um ano de sentimentos. Isso foi! Muitos. Tristezas, alegrias, sabores, dessabores, ... até o mais adolescentes deles, que foi interrompido por alguém que se mostrou, naquele momento, muito mais consciente que eu. E agora,... a partida mudou de rumo. Me vi na mesma história... com outro elenco e fazendo o papel oposto. Mas assim, como o outro novo personagem, eu ainda prefiro viver a desacreditar a tentativa. E nessa eu fui. Nessa eu estou, ... nessa eu vou.

Amanhã refaremos os pedidos. Renovaremos as esperanças... retomaremos os sonhos... uma coisa vai ser diferente. Quero deixar claro o meu pedido: "que seja eterno enquanto dure".

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Depois de tanto acaso e descaso do destino viu-se mais uma vez na corda bamba. Acabara de assinar o novo contrato com a felicidade quando ao fundo não acreditou no desprezo. Já sabia que esses dias não seriam fáceis. Pensou em desistir de uma história maluca, como a contada à crianças quando elas estão indo dormir.

Como quem dá um último suspiro de esperança resolveu ir. Tinha um discurso pronto, para que não fosse interpelada por qualquer ideia que pudesse contrapor a sua... ou simplesmente colocá-la por terra.

Quando bateu os olhos naquela imagem compadecida de sua existência, desistiu. Não conseguiu dizer nada que não fosse sim. Estava incrivelmente envolvida por súbitos suspiros que sentiu dar involuntariamente. Algo inebriou. Era a simplicidade do sentir... do ter... do ser......do pertencer. 

Era toda cor. Como o colorido das flores que brindavam o não conter em si. Era a aposta de dias e noites melhores. Era a dúvida, aplacada por uma certeza que não se sabia em quê. 

Neste momento parou. Percebeu que pensar demais atrasava muito o girar da vida. E determinadas coisas não se calcula. Se sente...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Há poucos dias ela ganhou uma chave. Não sabia direito para quê ela servia. Pensou que fosse ser como as outras que tinha pendurada no chaveiro...

Com o passar dos dias ela descobriu que aquela chave poderia ser a de um jardim... grande e belo. Mas não tinha certeza. Não era medo... aos poucos testava algumas portas que ela iria abrir... mas ainda preferiu não girar a última vez e ouvir destrancar.

Já havia testado aquelas outras do chaveiro antes,... mas nem sempre abriram portas para belos lugares. Algumas abriram para o nada. E ela não queria que desta vez fosse assim...

Ela está com a chave. Curiosa... cuida bem dela... mas ainda não quer destrancar o que quer que ela abra. Mas o dia que ela descobrir, juro que conto....

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A sua vida sempre foi muito agitada. E isso, por vezes, incomodou bastante. Mas ser agitada não significava ser interessante sempre.... por muito tempo existiram interrupções. O tempo parecia se arrastar. O imprinting perdurava... 

Quando se deu conta o tempo começou a voar, correr... as imagens eram novas a cada instante, e já não doía mais. Não dava tempo. Não era o que sempre sonhou, mas de repente se tornou interessante, desafiador... Como se estivesse pulando ondas e sem mais nem menos se percebeu em alto mar. Se sentia forte. Sentia poder. Sentia o seu poder. E ele estava ali, mais vivo que nunca. 

A adrenalina era muito boa. A face se corou. O sorriso com um "quê" malandro não conseguiu ser contido, por vezes... Se sentia jovem de novo. Agora já não dava tempo de chorar, nem de pensar no que foi ruim... aliás, o que foi ruim? De uma hora para outra as lembranças eram só boas, outras se apagaram da sua memória. Restou só o que importava. O que fez diferença.  O que faz diferença. 

Dessa vez encontrava-se do outro lado. Era bom estar do outro lado. Digo mais era inspirador, motivador. Viu agora que nem sempre o mocinho se dava bem no final da história,  e que existiam vantagens no vilão. O vilão era instigante, sedutor,... encontrou-se vilão, encontrou o seu vilão...bem seu, bem particular ... Mesmo nunca tendo conseguido tirar o mocinho de si.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os pingos de chuva foram mais fortes hoje. Eles soaram como o dia. Ditaram a melodia. Na sua ausência, os momentos felizes, e na hora em que os sentimentos mais rudes vieram à tona, eles caíram com força... como se quisessem atravessar o chão, a conversa, interromper os ânimos, ainda exaltados. 

A chuva veio para acalmar, para esfriar... apagar o fogo que consumia e destruía. A raiva era forte. Acelerava o peito. Ouvia-se a respiração há metros de distância. Como se uma fera, antes guardada, que quisesse despertar de um sono profundo. Mas não foi igual. Não queria que ela aumentasse... só não queria chorar. Deixar com que as lágrimas lavassem seu rosto significaria aceitar mais uma vez qualquer coisa que lhe incomodasse. Não queria que isso se repetisse. E por apenas um segundo, uma lágrima caiu. A única. Aquela que não conseguiu ser contida, e que significava a gota de alívio por tanto sentimento. 

Como não conseguiu ser diferente, poucos instantes de distração fizeram com que não remoesse mais. Como uma anestesia. Sabia que sentira, mas não se lembrava como. Mas sabia que tudo isso acontecera somente contigo. O que era lamentável. Não sentia o peito rasgar, mas lá no fundo, uma pontinha ainda doía,... com toda a esperança de ser curada com uma simples palavra: desculpa. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011


Era para ser como  outro dia qualquer.  Acordou, foi para o trabalho, passou o dia todo fazendo tudo o que lhe era rotineiro. Simplesmente seguiu a rotina.

Mas ao final do dia quis experimentar uma nova idéia, e foi. Não precisou de ninguém para acompanhar...  e  foi....

Diferentemente das outras vezes em que ousou experimentações, não esperava nada. Não criou expectativa alguma. E até aquelas idéias que surgem automaticamente eram subitamene descartadas pelo óbvio: "não vai funcionar mesmo"...

E dessa forma foi. A mistura de luzes e sombras confundiam seu olhar e as imagens pareciam se repetir naquilo que não facilitava a visão. O som era agradável, mas não prestou muita atenção nele.

Andava como se procurasse algo que não sabia o que era. Quando o acaso começou  a tomar forma de pensamento confundiu-se  e acabou tropeçando no caminho. Mas continuou... Ao parar e tentar achar uma saída , mesmo que momentânea, como um feitiço, tomou-lhe... mágica... Instantes... Deparou-se... Parou.

O olhar era fixo. Como se falasse. Estava ali. O corpo não se mexia, e a linguagem dos olhos se tornou um grito, e quando transbordou o ver, resolveu falar. Saudava o novo sem saber se era o certo a se fazer. Sem saber e nem entender absolutamente nada. Foi instintivo. Cenas concatenadas formaram-se aos poucos. Era bom. O novo não assustava mais. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Há dias venho pensando sobre um tema que de uma forma ou de outra sempre vem "assombrar": mudanças! Mudar... será que vem para assombrar mesmo? Mudar é sempre ruim?

Esses dias sentei e fiz algo inédito em minha vida. Li um livro inteiro, sem me levantar do sofá, nem para beber água. Verdade! Para uma pessoa hiperativa como eu, é um grande avanço. Mas retomando o raciocínio, não era um livro qualquer. "Quem mexeu no meu queijo".  Sabe aqueles "best seller" de muitosss anos atrás, que provavelmente grande parte das pessoas que você conhece já leu ou ouviu falar? Então, é o caso dele.

Fui com um certo preconceito, afinal, nem tudo que vende muito tem que me agradar, certo? Mas aos poucos o livro foi descrevendo uma história magnífica, e uma grande metáfora da vida. Ele trata do "assunto do dia": Mudanças. E aos poucos fui obrigada a concordar com ele.

Muitas vezes, nossa vida está ótima, acontece uma reviravolta, e pensamos: "Por que tenho que passar por isso? Estava tudo tão bom!". E ai, ficamos parados, olhando aquele bando de escombros e esperando que por um passe de mágica: ou venha uma máquina do tempo e te teletransporte de volta "à época de ouro", ou que nossa esperança brasileira acredite que tudo será como antes. Mas até que ponto que seria bom "reviver o antes"? Confesso que por várias vezes fiquei sentada, lá... sozinha, pedindo a todos os santos que fizessem com que aquilo fosse um pesadelo. E adiantou? NADA! nada, nada, nada... adiantou o dia que eu aceitei a mudança. 

Depois de longas reflexões, cheguei à conclusão de que MUDANÇA e ATITUDE, são duas palavras que devem andar juntas. As coisas não te pedem permissão para mudar, elas simplesmente mudam. E ficar esperando elas se refazerem, não as refaz. Com a mudança deve vir a atitude. Atitude para mudar também. Coisas aparentemente ruins, podem trazer tantas boas, lá na frente. 

Realmente se antecipar às mudanças é algo para monges budistas que alcançaram o nirvana pelo menos umas dez vezes. Mas ir se adequando à elas é o jeito mais fácil e mais leve de se viver. E aos tropeços, vou-me... metamorfoseando-me de acordo com a música.