"A linguagem interior é uma linguagem muda, silenciosa"
Vigostki

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Os pingos de chuva foram mais fortes hoje. Eles soaram como o dia. Ditaram a melodia. Na sua ausência, os momentos felizes, e na hora em que os sentimentos mais rudes vieram à tona, eles caíram com força... como se quisessem atravessar o chão, a conversa, interromper os ânimos, ainda exaltados. 

A chuva veio para acalmar, para esfriar... apagar o fogo que consumia e destruía. A raiva era forte. Acelerava o peito. Ouvia-se a respiração há metros de distância. Como se uma fera, antes guardada, que quisesse despertar de um sono profundo. Mas não foi igual. Não queria que ela aumentasse... só não queria chorar. Deixar com que as lágrimas lavassem seu rosto significaria aceitar mais uma vez qualquer coisa que lhe incomodasse. Não queria que isso se repetisse. E por apenas um segundo, uma lágrima caiu. A única. Aquela que não conseguiu ser contida, e que significava a gota de alívio por tanto sentimento. 

Como não conseguiu ser diferente, poucos instantes de distração fizeram com que não remoesse mais. Como uma anestesia. Sabia que sentira, mas não se lembrava como. Mas sabia que tudo isso acontecera somente contigo. O que era lamentável. Não sentia o peito rasgar, mas lá no fundo, uma pontinha ainda doía,... com toda a esperança de ser curada com uma simples palavra: desculpa. 

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